Norte da Argentina: roteiro de 12 dias por Salta e Jujuy
21 de junho de 2026 • Argentina, Destinos • POR Daniela MarinSobre o Norte da Argentina
O norte da Argentina é uma das regiões mais fascinantes do país, onde paisagens impressionantes se misturam a tradições ancestrais preservadas ao longo dos séculos. Com forte influência das culturas andinas, a região encanta pelos povoados coloridos, mercados de artesanato, música folclórica e uma gastronomia marcada por sabores típicos, como empanadas, tamales e locro.
Destinos como Salta e Jujuy revelam cenários únicos, que vão desde montanhas e salares até vales cobertos de vinhedos de altitude.
Muito mais do que um roteiro turístico, viajar pelo norte da Argentina é mergulhar em uma identidade cultural acolhedora e autêntica, onde cada estrada guarda paisagens inesquecíveis.

Como chegar
O voo direto do Brasil a Salta vive sendo lançado como voo regular e depois cancelado pelas cias aéreas. Depende muito da demanda do momento. Para chegar a Salta saindo do Brasil, até tinha essa opção, porém saiu mais barato fazer uma conexão em Buenos Aires com voo chegando e partindo do Aeroparque. Optamos por dormir em Buenos Aires, antes de seguir viagem a Salta na manhã seguinte.
Como se locomover
O Norte da Argentina oferece diferentes formas de locomoção, e a escolha vai depender do tempo disponível e do estilo de viagem de cada um. É possível explorar a região com excursões saindo de Salta, uma opção para quem tem receio de dirigir. Também há ônibus que conectam as principais cidades e povoados, embora os horários sejam bem limitados. Para trajetos específicos, táxis e transfers privados também podem ser contratados.
No entanto, para quem deseja conhecer a região com mais liberdade e sem pressa, alugar um carro é essencial e a melhor alternativa nesse roteiro. As estradas principais estão longe de serem as melhores, porém suas paisagens valem demais a experiência. Ter um carro permite parar nos mirantes quando quiser, visitar atrações fora do roteiro tradicional e ajustar o tempo em cada atração para contemplar o máximo aquelas paisagens espetaculares sem a correria de um tour.
Em uma região onde o caminho é tão bonito quanto o destino, a autonomia de criar seu roteiro em ritmo próprio transforma a viagem em uma experiência muito mais rica e memorável.

Quando ir
Costumam dizer que o Norte da Argentina pode ser visitado durante todo o ano, mas cada estação oferece uma experiência diferente. O verão, de dezembro a março, é mais quente e chuvoso e algumas estradas podem ser interditadas pelos temporais. Eu não recomendo essa época. O outono, de abril a maio, traz temperaturas mais agradáveis e menos turistas.
Já o inverno, de junho a agosto, é a época mais seca do ano, com dias ensolarados, céu azul e excelente visibilidade para apreciar cenários como Salinas Grandes e Hornocal, já que, durante a seca, o Salar fica bem mais limpo, formando aquele imenso tapete branco, embora as manhãs e noites sejam bastante frias.
Por isso, escolhemos viajar em junho. Além de sempre buscar os meses mais secos do ano para as férias, encontramos o Salar em sua melhor versão, extremamente branco e com céu azul, condições perfeitas para admirar e fotografar um dos principais auges do nosso roteiro.
A primavera, de setembro a novembro, combina um clima ameno e paisagens que começam a ganhar mais cor, porém embora não seja um período muito chuvoso, o aumento da umidade pode deixar o Salar com áreas mais escuras e com a superfície menos homogênea.

Nosso roteiro no Norte da Argentina
O nosso roteiro começou em Salta, porta de entrada para essa região surpreendente. De lá, seguimos para Cachi, cruzando paisagens impressionantes como o Parque Nacional Los Cardones. Depois, exploramos Cafayate e seus vinhedos de altitude, percorrendo a espetacular Ruta 68 antes de retornar a Salta.
A segunda parte da viagem foi dedicada à província de Jujuy. Partimos rumo a Purmamarca, conhecendo cenários espetaculares como as Salinas Grandes, Humahuaca e o incrível Hornocal além de Tilcara, antes de regressar novamente a Salta para uma última noite antes de retornar ao Brasil, com conexão em Buenos Aires.
Foi um roteiro que reuniu o melhor do Norte da Argentina com o deserto de sal, montanhas multicoloridas, estradas cênicas, vinhos de altitude e uma imersão na rica cultura andina.

Salta
Conhecida como “La Linda”, Salta é uma das cidades mais charmosas do país e o ponto de partida ideal para explorar o norte da Argentina. Com arquitetura colonial preservada, ruas arborizadas e um ritmo tranquilo, a cidade combina história, cultura e rica gastronomia em meio ao cenário andino.
Entre os principais atrativos estão a Plaza 9 de Julio, coração do centro histórico, a imponente Catedral Basílica de Salta, o Cabildo, que abriga o Museu Histórico do Norte, e o famoso MAAM (Museu de Arqueologia de Alta Montanha), famoso por preservar múmias incas.
No fim da tarde, vale subir até o Cerro San Bernardo de teleférico ou de carro para apreciar a vista panorâmica da cidade.
À noite, a dica é aproveitar as tradicionais Peñas Folclóricas, onde música ao vivo, dança e pratos típicos criam uma atmosfera autêntica do norte argentino.
Salta é um destino que merece ser explorado sem pressa pois seu patrimônio histórico e a hospitalidade dos moradores fazem dela uma das cidades mais encantadoras do país.
Nos hospedamos em Salta no início, no meio e no final da viagem, assim pudemos conhecer bem a cidade, tanto de dia como de noite e nos apaixonar pela variedade de suas cafeterias, algo que sempre fazemos questão no nosso roteiro.


Cachi e Parque Nacional Los Cardones
Localizada a cerca de 160 km de Salta, Cachi é um dos povoados mais charmosos do norte da Argentina. O trajeto até lá leva umas 5 horas se você for parando nos mirantes pelo caminho. O caminho percorre a Ruta 33, passando pela sinuosa Cuesta del Obispo, alcançando mais de 3.300 metros de altitude, até chegar na bela Recta del Tin Tin, uma antiga rota inca traçada em linha reta quase perfeita.
O caminho atravessa o belíssimo Parque Nacional Los Cardones, uma área protegida criada para preservar a vegetação típica da região e seus imensos cactos, que podem ultrapassar 5 metros de altura, e viver mais de 200 anos.
A paisagem é uma das mais marcantes do norte da Argentina e rende boas paradas e belas fotos de viagem.
Em Cachi, vale caminhar sem pressa pelas poucas ruas de pedra e casas coloniais de adobe, visitar a Plaza 9 de Julio, Iglesia San José do século XVIII, e explorar o Museo Arqueológico Pío Pablo Díaz.
Embora muitas pessoas façam o trajeto em um bate e volta saindo de Salta, nós preferimos nos hospedar em Cachi para vivenciar a cidade com mais calma, antes de seguir viagem a Cafayate.


Ruta 40
A viagem entre Cachi e Cafayate pela famosa Ruta 40 é uma das experiências mais marcantes do norte da Argentina. São cerca de 160km, percorridos em 7 horas (foi o tempo que levamos parando em todos os mirantes), atravessando paisagens áridas, povoados minúsculos e cenários surpreendentes.
Muitos viajantes escolhem essa rota justamente pela aventura e pela sensação de estar explorando uma Argentina menos turística, já que você não vai cruzar com nenhum turista pelo caminho. A Ruta 40 permite conhecer o lado mais selvagem dessa região, passando por Molinos (parada para comer empanadas) e Angastaco (onde a paisagem é o motivo dessa aventura).
Ao mesmo tempo, muita gente tem receio de fazer esse trajeto porque o percurso é quase todo de terra e rípio (com cascalho), com trechos irregulares, quase nenhum serviço pelo caminho, zero sinal de celular e total isolamento.
O segredo é viajar bem devagar mesmo, sem nenhuma pressa e transformar o caminho na atração principal do dia. Para nós, foi um dos momentos mais especiais do roteiro. A Ruta 40 não é apenas um caminho, mas sim uma oportunidade de admirar a grandiosidade dessas paisagens do norte da Argentina. Mas não vou negar que a estrada é SUPER cansativa. Mesmo assim, valeu cada minuto cruzar uma das estradas mais icônicas da América do Sul.


Cafayate
Conhecida como a capital dos vinhos de altitude, Cafayate é uma das joias do norte argentino. Localizada a cerca de 190 km de Salta, a cidade encanta pela combinação de paisagens áridas, vinhedos aos pés das montanhas e um clima tranquilo de interior.
A principal atração é visitar vinícolas e degustar o famoso Torrontés. Mas, vale caminhar por todo centrinho histórico em volta da Plaza 20 de Febrero, aproveitar os restaurantes e tomar o famoso sorvete de vinho.
O trajeto pela espetacular Ruta 68 é um dos grandes destaques da viagem. Mas como chegamos pela Ruta 40, fizemos esse roteiro na volta.
Em Cafayate nosso roteiro foi visitar as Cabras de Cafayate para fazer degustação de queijos de cabra; visita, degustação e almoço na Bodega Piattelli, além de conhecer a Bodega Nanni e El Esteco (que tem uma paisagem deslumbrante).
Muitos viajantes fazem um bate e volta saindo de Salta, principalmente em excursões. No entanto, sempre acreditamos que todo destino importante merece pelo menos uma noite. Nos hospedamos duas noites em Cafayate e foi maravilhoso explorar a cidade com calma, aproveitar cada visita sem pressa e caminhar pelo centro diversas vezes para vivenciar sua atmosfera tranquila.


Ruta 68
A Ruta 68, que liga Cafayate a Salta, é considerada uma das estradas mais bonitas da Argentina. São cerca de 190 km, percorridos em 6 horas (paramos em todos os mirantes também). Se for sua primeira vez, dificilmente você fará esse trajeto sem várias paradas pelo caminho.
O grande destaque é a espetacular Quebrada de las Conchas, onde a erosão do vento e da água esculpiu formações rochosas ao longo de milhões de anos.
Entre as melhores paradas está a famosa Garganta del Diablo, um enorme cânion de paredes avermelhadas que impressiona pela sua beleza. Outro grande destaque é o Anfiteatro que chama atenção pela acústica natural perfeita. Outros pontos que merecem uma parada são Los Colorados, Los Castillos, El Obelisco, Las Ventanas, La Yesera, El Sapo e o Mirador Tres Cruces.
Diferente de muitas estradas em que o objetivo é apenas chegar ao destino, a Ruta 68, assim como as outras estradas que percorremos no norte da Argentina, é parte essencial da viagem. Reserve tempo para dirigir sem pressa, apreciar as mudanças de paisagens e fazer quantas paradas desejar. Foi, sem dúvida, mais um dos trajetos mais incríveis do nosso roteiro.


Purmamarca – Cerro de 7 Colores
A distância entre Salta e Purmamarca é de cerca 190 km, percorrida numa estrada asfaltada e leva cerca de 3 a 4 horas. No caminho, vale fazer uma parada em San Salvador de Jujuy para abastecer o carro e usar o banheiro, já que depois a estrada vai seguir para uma região mais rústica ainda do que comparada com as primeiras cidades do roteiro.
A paisagem começa a mudar gradualmente e as montanhas ganham outros tons e a atmosfera andina começa a ficar cada vez mais presente.
Em Purmamarca, o grande protagonista é o Cerro de los 7 Colores, que abraça o pequeno povoado. A melhor forma de conhecê-lo é fazer a caminhada de 3 km pelo Paseo de Los Colorados. Caminhe ao redor da charmosa praça, visite a histórica Iglesia Santa Rosa de Lima, do século XVII e suba ao Mirador El Porito para uma vista panorâmica.
Apesar de muitos viajantes fazerem apenas um bate e volta, pernoitar na cidade permite apreciar o silêncio das montanhas e a magia de acordar diante de uma paisagem tão emblemática nos Andes. Nós ficamos 2 noites num Hotel Boutique maravilhoso na base da montanha e com uma vista sensacional. Foram os dias mais lindos dessa viagem! Fiquei completamente apaixonada por Purmamarca.
Além do que, o povoado é a base perfeita para visitar as Salinas Grandes, localizadas a 60 km dali.

Salinas Grandes
As Salinas Grandes são um dos principais destinos no norte da Argentina. Localizada a cerca de 60 km de Purmamarca, elas formam o quarto maior salar da América do Sul. Para chegar lá, é preciso percorrer a impressionante Cuesta de Lipán, uma estrada asfaltada (ruim) e repleta de curvas e mirantes que sobe até ultrapassar os 4.170 metros de altitude, antes de descer um pouco até o salar. A visita às Salinas é organizada pelas comunidades locais. Ao chegar, você pode pagar a entrada para visitar livremente somente a parte da frente ou pagar um guia que vai te conduzir para dentro do Salar para visitar as famosas Piletas e os Ojos del Salar. O passeio costuma durar uns 45 minutos, mas nossa guia foi tão maravilhosa que ficou mais de 1 hora só com a gente e ainda fez fotos e vídeos lindos de livre e espontânea vontade. Valeu a pena demais!
Depois desse tour, nós ainda ficamos mais de 1h percorrendo a pé o salar por conta própria e aproveitamos para comer “Tortillas Rellenas” de almoço com aquela vista deslumbrante.
Novamente, afirmo que ir de carro oferece muito mais liberdade para ficar o tempo que quiser nas atrações e apreciar tudo sem pressa.
Na volta, aproveite para parar nos mirantes da Cuesta de Lipán para fotografar a quantidade de curvas absurdas que você percorreu nessa estrada. Rs


Tilcara
A apenas 30 km de Purmamarca, Tilcara é um dos povoados preferidos do Norte da Argentina, pois apresenta um centrinho com um pouco mais de infraestrutura turística. A principal atração da cidade é o Pucará de Tilcara, ruínas arqueológicas com belas vistas das montanhas. Porém, por sua localização estratégica, muitos viajantes escolhem Tilcara como base para conhecer atrações como Humahuaca e Hornocal.
Nós ficamos 2 dias na cidade, no primeiro dia só para descansar e fazer tudo com calma e no outro para fazer o bate e volta de Hornocal.

El Hornocal – Cerro de 14 Colores
Considerado por muitos o ponto mais alto de uma viagem para o norte da Argentina, o Hornocal, também conhecido como Cerro de los 14 colores, é uma das paisagens mais lindas que já vi na vida. É uma pintura, impressionante mesmo!
Localizado a cerca de 22 km de Humahuaca, o acesso é feito por uma estrada de terra que sobe a montanha em meio a curvas e paisagens espetaculares. Embora a estrada não seja asfaltada, ela costuma ser percorrida por carros comuns em períodos secos. O trajeto final pode levar até uns 50 minutos e alcança cerca de 4.350 metros de altitude. Por isso, é importante ir com calma, manter-se hidratado, evitar caminhar rápido e grandes esforços.
Ao chegar ao mirante, a vista é simplesmente inesquecível. A montanha revela camadas em vários tons de vermelho, laranja, amarelo e verde, formando uma pintura na Cordilheira dos Andes.
Uma curta caminhada leva aos melhores pontos de observação e permite admirar toda a grandiosidade desse cenário. O horário ideal é o final da manhã e o início da tarde, quando a incidência do sol destaca com mais intensidade as cores da montanha. Nós ficamos 3 horas por lá e aproveitamos muito. Mas estava muito frio, muito mesmo! Vá bem agasalhado e não esqueça gorro e luvas se for no outono ou inverno.
Depois, na volta, vale dedicar um tempinho para passear por Humahuaca, com suas ruas estreitas, construções coloniais e forte herança andina.


O norte da Argentina se revelou muito mais do que imaginávamos. Foi uma viagem para colecionar paisagens incríveis na memória, vivenciar cultura e sentir muito a hospitalidade local, voltando com a sensação de ter conhecido um outro lado da Argentina.
Se você procura um destino capaz de te surpreender a cada curva na estrada, coloque o Norte da Argentina na sua lista. Mas, vá sem pressa!
Já salva esse pin no seu Pinterest

Dúvidas sobre o Norte da Argentina?
Se gostou e quiser me acompanhar mais nas redes sociais, me siga lá no Instagram @prefiromochilar e veja mais fotos e dicas de viagens.
Se você gostou do post, pode gostar dos outros roteiros de viagem na América do Sul:
Galápagos: Conheça esse Arquipélago no Pacífico
Patagônia Argentina: roteiro completo de 10 dias
Chile: o que fazer na Região dos Lagos Andinos
Publicidade

Comente esse artigo